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Manuel Ribeiro

Casa da Senra

Fafe . Portugal . 2010

 

contacto

 

 

Esta memória descritiva e justificativa refere-se ao projecto de recuperação e construção de uma habitação unifamiliar localizada numa freguesia nos arredores de Fafe.

 

Trata-se de um projecto de restauro, remodelação e adaptação do complexo habitacional existente que se encontrava degradado, com intervenções em argamassa, tendo o programa inicial a questão de responder às exigências da qualidade de vida e padrões contemporâneos da utilização do espaço e sua percepção, sem perder a identidade de muitos anos de “mão humana” na paisagem de uma encosta soalheira, atravessada por um riacho.

 

Deste modo, o projecto caracteriza-se por intervenções que implicam limpar as alterações que foram levadas a cabo ao longo do tempo e que descaracterizam a arquitectura típica rural desta região, para que se possa recriar, em parte, o aspecto pitoresco da linguagem da arquitectura português bem estudada por Keil do Amaral (que deixou um legado histórico da arquitectura portuguesa - Portugal dos pequeninos).

 

Uma vez que se tenta limpar e reconstruir uma imagem com identidade própria do seu exterior, o interior é pensado e projectado para que seja modulado, tanto na intenção de uma linguagem personalizada, de acordo com o conteúdo programático, como com a linguagem que permite manter as pré-existências e a recuperação dessa linguagem típica e regional numa leitura dogmática bem demonstrada pelos materiais, linhas e intenções.

 

Assim, mantém-se a preexistência dos vãos, aparelhos em pedra, coberturas em madeira com asnas, portadas, e outros elementos, e ao mesmo tempo se tenta responsabilizar a intervenção com luz zenital, espaços para os equipamentos, compartimentações adequadas às necessidades actuais e pessoais do cliente, e ainda assim, por outro lado, cumprir isto tudo solucionando as limitações existentes ao longo do projecto e da obra.

 

O conjunto tem a forma de um círculo bastante deformado, sendo que se faz acompanhar pelo movimento natural da insolação no conjunto edificado, criando um espaço interior ao ar livre que será uma praça, ao bom estilo deixado pela cultura ibérica, celta, romana.

 

O conteúdo programático é composto pelo aproveitamento dos edifícios préexistentes, alguns em ruínas, outros deformados, optando por deixar os desníveis, havendo dois pisos no corpo principal, um, nos espaços de apoio, sem que para isso se perca a luz do dia no espaço interior do conjunto.

 

O piso térreo albergará os espaços de lazer, convívio e zona social, enquanto que o piso superior terá os quartos, funcionando como zona íntima.

 

Desde o Hall de entrada principal, que entrando por uma porta presente numa estrutura rudimentar em madeira e vidro, rebaixada sobre os grandes edifícios de aparelho em pedra granítica que caracterizam o conjunto no global, que se tem noção que a pedra e a madeira casaram numa simbiose

perfeita. O Hall tem acesso a dois espaços diferentes, sendo que deixa de haver corredores, para haver espaços que se sucedem uns após outros, em que a maior parte em cotas diferentes.

 

A cozinha tem 1 pé-direito livre superior aos restantes espaços e através deste tem-se acesso a um espaço de ligação com pé-direito duplo e vitrais que formam as alvenarias, com vista para o pátio e para o espaço de entrada do portão nascente, formando no seu exterior uma torre de luz, ainda assim irreconhecível, pois encontra-se coberto com um ripado exterior.

 

A cozinha, nas casas nortenhas e na arquitectura básica, é o local de reunião familiar, havendo uma ligação com o existente, a cozinha encontra-se ampla, com mobiliário ao bom estilo de uma casa do seu género e todo o trabalho e

estudo envolveu mesmo o enquadramento das peças dispostas com a funcionalidade e convivência familiar que se implica num projecto, a título de exemplo de se ter uma banca junto de uma janela, de maneira a minorar o gesto menos apetecível de se lavar a loiça de costas para os restantes conviventes do espaço.

 

A sala de estar, com uma linguagem plurifuncional, longa, tem vista sobre o pátio e sobre um pátio público das traseiras da habitação; é o local da família por eleição, pois aqui encontra-se um espaço que funciona como sala e espaço de transição, que é a zona de convívio, com ligação aberta para o hall e cozinha. A lareira encontra-se visível desde a entrada rudimentar com o seu pé direito erguendo-se sobre os penedos que restaram da encosta natural no interior da habitação. Uma sumptuosa porta dará acesso ao escritório e

aposentos dos convidados que porventura possam vi a ser convidados a pernoitar.

 

No piso superior haverá dois quartos individuais, com as suas respectivas instalações sanitárias e vestíbulos, havendo assim duas suites no corpo principal. No conjunto existem mais duas suites para convidados e para uma futura expansão familiar.

 

Voltando ao piso térreo, a cozinha é um espaço amplo, caracterizando o espaço com peças antigas, com um balcão corrido, havendo uma porta de acesso ao volume rudimentar em madeira que assim dá o acesso à praça exterior, onde se vê todo lugar da encosta voltado para sul e poente.

 

À adega antiga juntou-se as antigas cortes do gado, ampliando o seu espaço e recuperando o seu aspecto. A adega tem acesso ao pátio. A partir do pátio tem-se acesso ao ginásio no piso inferior, sendo um salão que terá dois ou três equipamentos de manutenção física; do interior do ginásio, pode-se aceder aos balneários, adjacentes. O lagar antigo permaneceu no local, parado sob a pedra que lá os antigos colocaram com o seu suor e valores, que ainda hoje permanecem e são dignificados pelo seu esforço com a memória do granito trabalhado.

 

Um espaço de construção antiga será recuperado para receber a lavandaria e a rouparia no piso térreo, funcionando também como espaço técnico para a maquinaria que alimenta a habitação e conjuga uma caldeira de queima de biomassa e painéis solares para o aquecimento de águas e de radiadores do conjunto.

 

No seu piso superior, será aproveitado para se fazer um quarto, com instalações sanitárias e vestíbulo, sendo uma suite com terraço que obtém visualização de duas realidades. Este propósito acontece de modo a saborear a restante encosta até ao vale, e da praça interior composta pelo conjunto de granito e castanho.

 

O pátio é o espaço resultante das construções feitas ao longo do tempo, que o deixaram como espaço de circulação para os animais e pessoas; entendeu-se pavimentar este espaço deixando que as pré-existências, como os muros que limitam e dividem a praça em patamares, os pios escavados na pedra e as alvenarias que s encontravam em ruínas e de suporte, com o acordo de se manter como elementos decorativos, tal como uma das ruínas, deu resultando numa extensão de muro a sair da construção e terminando num pequeno espaço verde, onde cresce uma verdadeira arvore portuguesa: o azevinho é a única árvore dona da praça.

 

Os traços de “arruamento” deixados pelo uso e pelos tempos na praça serão mantidos a praça decorada em calçada à portuguesa tradicional. A textura da pedra das alvenarias com o da calçada deu resultado a uma aproximação do conjunto na sua totalidade, e a madeira destaca-se pela sua cor viva sobre o granito útil e agradável.

 

Com tantos pormenores mantidos da traça de uma casa do norte português, não se poderia descorar a linguagem da cobertura em telha, excepto em um volume que forma um terraço de apoio à suite. As coberturas no geral são em asnas de madeira, que na sua maioria estão à vista, formando o conteúdo intrínseco da construção e da decoração.

 

Os espaços exteriores são recuperados em espaços verdes de jardim nas imediações da construção, relegando uma vegetação campestre rural e semi-florestal, num segundo plano do edificado, com muitas árvores e relva, bem como flores campestres, com desenhos a definir as inclinações do terreno, aproveitando a sua morfologia; como remate das goteiras das telhas e separação entre os espaços ajardinados e o relvado colocaram-se seixos rolados de rio, pois existe um ribeiro a sul da habitação.

 

O acesso à habitação é conseguido através da Rua da Senra, pelos antigos portões com acesso à praça interior da habitação, sendo estes a nascente e poente, como manda as boas regras do urbanismo ancestral, permitindo o acesso a veículos e pessoas através de um caminho existente para as

actividades agrícolas, criando uma avenida de norte para sul que dá o acesso principal do complexo de edificações ancestrais agora transformada.

 

 

LOCALIZAÇÃO

Rua da Senra, freguesia de

Travassós, Fafe

 

CARACTERISTICAS

USO: Habitação

 

ÁREA:

-CONSTRUÇÃO BRUTA: 733,57m2

-COBERTURA: 566,76m2

-R\c E PISO: 637,00m2

-PÁTIO: 290,20m2

-HAB E JARDIM: 2511,30m2

-COBERTO: 97,00m2

 

PISOS: 2

CÉRCEA: 8,00ms.

 

 

 

 

ARQUITECTURA

Manuel Ribeiro, Arquitecto

 

w.

www.manuelribeiroarchitect.org

 

 

m.

 

C.C. da Estação, 31, loja 41, Sé 4700-205 Braga, Portugal

 

t.

00.351.91.956.15.31

 

fotografia

 www.ivotavares.net